Maggda Veste, News

MUNDO AFORA | O melhor do Peru – seu povo | Peru parte 3

18 de novembro de 2014

Ao viajar pelo Peru, não se deixe enganar pela aparência das casas, precárias, feitas de adobe, sem reboco ou pintura, com galinhas, porcos, cachorros e outros animais vivendo em comunhão com a família e dividindo o mesmo espaço. Dentro delas há tudo o que necessitam, apenas que necessitam muito menos do que nós. O que é importante para nós, não faz sentido algum para eles. O que é importante para eles, nós negligenciamos ou até destruímos.

post3. (1)post3. (3)

A cultura e os valores são outros e é preciso vê-los com a alma e não com a nossa mente distorcida. E, apenas para ilustrar, vi mais lixo em 20 metros na Maurício Cardoso, do que nos milhares de quilômetros que percorri, de leste a oeste, no Peru. A razão é muito simples, o profundo respeito que têm pela mãe terra, pela natureza e pelo espírito de seus antepassados. Simples assim. Mas tem algo que incomoda, e muito. O hábito de buzinar. Buzinam para tudo, para os onipresentes Tuc Tucs, para os carros que não andam, para acenar, para chamar atenção de quem está passando, para isso, aquilo ou qualquer coisa. E, se você ficar 20 segundos sem escutar uma buzina, ou saiu do país e não viu ou está morto e não percebeu.

post3.post3.1 (2)

 

E a gastronomia? Olha, o país tem uma diversidade fabulosa e a gastronomia foi considerada recentemente como a mais rica do planeta. Come-se de tudo, só é difícil digerir o prato principal da culinária peruana, o Cuim. Eles comem o porquinho da índia de tudo quanto é jeito, assado, ensopado, frito, na brasa, com arroz, batatas, salada, enfim… Não teria coragem (nem estômago) para comer um bichinho tão meigo e simpático.

As regiões mais pobres do país estão localizadas justamente nas zonas rurais, pois se não falta alimento à mesa, faltam oportunidades de estudo. Não há escolas nestas regiões. As crianças nascem e crescem no mesmo lugar, desde cedo trabalhando na lavoura ou pastoreando. É comum ver nas estradas crianças de seis ou sete anos conduzindo dezenas de ovelhas, acompanhadas por um ou dois cachorros. Por todo lado, vê-se crianças lindas em meio às plantações, brincando, correndo atrás de porquinhos, acompanhando seus pais na lavoura durante todo o dia.

post3. (6)post3. (5)

Mas é visitando os lugares sagrados do Peru que conseguimos compreender um pouco melhor esse laço espiritual que o povo tem com seus antepassados. Wiracocha é a divindade suprema, mestre do mundo, criador do céu e da terra. A Pachamama é a divindade relacionada à terra, à fertilidade, ao feminino. Mamacocha está associada às formas de água, do mar, dos lagos, dos rios.

Para os incas, Wiracocha organizou o universo em três mundos relacionados entre si, Hananpacha, o mundo de cima, onde habitam os espíritos e os seres celestes e é representado pelo condor. Kaipacha, o mundo do meio, onde habitam os seres terrestres, os homens, as montanhas, os animais, e que é representado pelo puma, e Ukupacha, o mundo de baixo, onde se encontram os mortos, os ancestrais, e que é representado pela serpente. Estes três são considerados os animais sagrados da Trilogia Inca, os guardiões do mundo. O condor é o mensageiro da paz, que carrega os espíritos mortos desta vida para a vida dos deuses; o puma representa a força e o espírito de cada pessoa e a serpente, a inteligência e a destreza humana.

O sentimento de plenitude e de paz interior de que somos tomados quando visitamos os locais sagrados vêm dessa ancestralidade, do poder e da energia emanada por tanta história.

 

post3.1 (1)post3.1 (3)post3. (2)

Você pode gostar também