Maggda Veste, News

MUNDO AFORA | Percorrendo a história| Peru parte 4

9 de dezembro de 2014

Machu Picchu, que significa velha montanha, a cidade perdida dos incas, permaneceu incógnita aos espanhóis por muitos anos, pois foi edificada estrategicamente à 2.453 metros acima do nível do mar, num espaço sagrado entre os Andes e a Amazônia, no esplendor desta civilização. Ao seu lado, imponente, situa-se a montanha de Huayna Picchu, à 2720 metros, que pode ser vencida por uma estreita trilha, porém só é permitida a entrada de 400 pessoas por dia. De lá é possível visualizar na íntegra Machu Picchu e é de onde vem a foto clássica que você conhece desse santuário. Agora, já aviso, não é passeio para qualquer um.

 

Post4 (16)

Post4 (3)

Post4 (7)

 

O cartão de visitas, porém, já é apresentado bem antes, na viagem de Cusco à Urubamba, no Vale Sagrado. Serpenteando por estradas impecáveis, porém estreitas e, às vezes, improváveis, no alto das montanhas, descortina-se repentinamente uma cidade espraiada, belíssima vista de cima, e que impulsiona você instintivamente para o lado esquerdo do ônibus, em busca do melhor ângulo. A estrada sinuosa, contudo, não permite que você capte a melhor imagem e seria imprudente parar ali com um veículo grande. A imagem daquela cidade encravada entre as montanhas, porém, não se preocupe, ficará gravada na sua cabeça, se não para sempre, mas seguramente por muitos anos. De lá, parte-se para vários sítios arqueológicos no Vale Sagrado, em especial Pisac, onde você será apresentado pela primeira vez aos problemas de altitude. O lugar é maravilhoso e, por todos os lados, visualizam-se ruínas incas, suas obras de engenharia, o rio Urubamba e paisagens de tirar o fôlego, este já combalido, aliás, pelas trilhas percorridas.

 

Post4 (2)

Post4 (1)

Post4 (6)

 

De volta à estrada, seguimos em direção à zona rural, cruzando por cidadelas perdidas que parecem remeter ao século passado. É ali que encontramos as pessoas mais sofridas do país, principalmente crianças, que, envolvidas com a agricultura e o pastoreio, não tem acesso às escolas e nem se beneficiam do fruto do trabalho dos pais. Vivem isoladas e sem perspectivas, passando a ideia de tristeza e melancolia. Foi ali que experimentei a maior emoção da viagem, pois trouxemos do Brasil uma quantidade imensa de lápis, canetas, borrachas, lápis de cor, bloquinhos de papel, balas e pirulitos que, acondicionados em saquinhos individuais durante o percurso, foram sendo distribuídos durante o trajeto. Assim que avistávamos uma criança, o micro-ônibus parava para distribuir. Elas vinham correndo de todo lado, curiosas e sorridentes, algumas desconfiadas e assustadas, precisando ser incentivadas pelas mães. A sensação era emocionante e eu nem sei quem chorava mais, se nós ou as crianças que recebiam aquele presente inesperado.

 

Post4

Post4 (10)

 

Post4 (5)

 

Ainda com os olhos marejados, chegamos à Moray, no distrito de Maras, à 3.550 metros acima do nível do mar.  Um laboratório agrícola inca, constituído por inúmeros terraços de pedra, desenhado em formas circulares e concêntricas, onde em cada nível eram plantadas diferentes espécies vegetais, com micro climas diferentes, simulando alterações de altitude, clima, umidade e temperatura. Uma obra de engenharia impressionante. Porém, alguns arqueólogos arriscam que Moray era, na verdade, um anfiteatro e um centro de veneração. O fato é que dali emana uma energia impressionante e, no centro dos terraços, você parece tomado por uma grande energia cósmica. E, não sei se está lembrado, eu era para ser um sujeito cético. Polêmicas à parte, o fato é que o local impressiona pela grandeza e imponência e quanto avistado no todo, produz uma enorme admiração.

 

Post4 (9)
Post4 (8)

Post4 (4)

Na verdade, ao percorrer os sítios arqueológicos, fica difícil afirmar qual o mais impressionante. Cada local parece ser mais lindo que o anterior. Foi essa a sensação que experimentei ao chegar em Ollantaytambo, fortaleza e cidade inca que ainda mantém  sua estrutura original. Este conjunto arqueológico impressiona, mas impressionar já se tornou chavão. Prepare o coração e o pulmão, pois sem preparo físico e folhas de coca, você os colocará para fora. Não se apresse, pois vai faltar ar, sem dúvida. Mas a beleza do lugar é indescritível e a câmera sai disparando sozinha, para todos os lados e por todos os ângulos. Você não sabe se apenas olha e admira ou fotografa desesperadamente para não perder nenhuma imagem.

 

Post4 (15) Post4 (13) Post4 (12)

Você pode gostar também