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MUNDO AFORA | Puno: última parada | Peru parte 6

23 de dezembro de 2014

Saindo de Cusco, seguimos em direção à Puno. Uma viagem ao Altiplano peruano, onde as cordilheiras se abrem e proporcionam uma paisagem absurdamente fantástica. São aproximadamente sete horas de viagem, com paradas programadas em inúmeros lugarejos e sítios arqueológicos. Começamos com a visita à Capilla de Andahuaylillas. Indescritível. A riqueza e a perfeição dos detalhes dessa igreja só podem ser comparadas à Santa Sé, em Roma. Não é à toa que é conhecida como a Capela Sixtina Andina. A quantidade de ouro agride os olhos e a majestade e imponência do seu interior chegam a ser perturbadores.  O Complexo Arqueológico de Raqchi é também parada obrigatória. Foi construído para ser o templo de Wiracocha, a suprema divindade inca. Na tentativa de reduzir a devoção à essa deidade, os espanhóis o destruíram, mas suas ruínas ainda são representativas e demonstram a grandiosidade do complexo. Algumas horas mais e chegamos a La Raya, na fronteira entre as cidades de Cusco e Puno, à 4.335 metros acima do nível do mar. Ali se encontra o Nevado Chimboya e é aonde nasce o Rio Amazonas. Paramos numa feira de artesanato, à beira da estrada, pois é impossível não desembarcar para tirar fotos. Seria frustrante não parar, tal a beleza do conjunto dos elementos da natureza naquele lugar.

À noite chegamos em Puno, onde se encontra o lago navegável mais alto do mundo, a 3.800 metros sobre o nível do mar, o Lago Titicaca, o lago sagrado dos incas. Esse lago tem uma superfície de 8.100 m2 e é compartilhado em partes quase iguais entre o Peru e a Bolívia. Em sua profundidade máxima, chega aos 240 metros no lado boliviano. Possui 33 ilhas, sendo as mais importantes, Uros, Taquilli e Amantaní no lado peruano e Isla del Sol e La Luna, no lado boliviano. Na manhã seguinte, tomamos o catamarã para a Ilha de Uros para conhecer as “islas flotantes dos Aymaras”. São duas das etnias mais representativas do Peru, os aymaras e os quéchua. Esse povo pré-inca data de 300 a.C. e tem até hoje seus costumes vividos e preservados. Esse povo não aceitava ser subjugado e fugiu através do Lago Titicaca, onde encontrou a totora, uma espécie de junco. Logo descobriu que seria possível construir embarcações com essa planta que abundava no lago. De forma engenhosa, produziram uma base de material poroso e trançaram as totoras em cima, construindo ilhas navegáveis e ali passaram a viver.

A emoção de chegar a uma ilha flutuante é indescritível e confesso que foi uma das experiências mais marcantes que já experimentei. Fiquei sensivelmente emocionado. A sensação é de que estamos caminhando sobre um colchão d’água. Nestas ilhas vivem cerca de 25 pessoas aproximadamente, e elas precisam ser refeitas de tempos em tempos, pois as totoras apodrecem. Vivem do turismo, vendendo artesanatos, belíssimos por sinal. Recebemos uma demonstração de como a ilha é constituída e passeamos nas fantásticas embarcações de totora, que parecem dois gomos de uma bergamota, construídos da mesma forma como seus antepassados o faziam. Mas a totora também é comestível (e medicinal), apesar de não ter gosto de nada. Bem, para ser sincero, antes prefiro experimentar uma totora a um simpático porquinho da índia. Da Ilha de Uros, fomos à Taquilli, à 30km da fronteira com a Bolívia. Essa ilha já é de outra etnia pré-inca, os quéchua. Um povo amável, exímios tecelões (entre os quéchua, essa atividade é essencialmente masculina). A vista da ilha é deslumbrante e o povo vive da agricultura, da pesca e da tecelagem.

Mas, como tudo na vida tem um fim, a viagem também começava a se aproximar de seu termo. De Puno embarcamos para Lima, onde faríamos um city tur pela cidade e passaríamos o dia antes de embarcarmos em Juliaca, de volta para o Brasil. A cidade de Lima me surpreendeu positivamente, principalmente as municipalidades de Miraflores, com seu belíssimo calçadão às margens do Pacífico, símbolo da Lima moderna, e San Izidro, este último o local mais chique e caro da cidade. A região metropolitana de Lima possui 10 milhões de habitantes e abriga a metade da população do Peru. Aliás, parece outro país e nada lembra a cultura e a história das regiões visitadas anteriormente. São raríssimos os vestígios da civilização inca nesta cidade cosmopolita. Recentemente, em plena San izidro foram feitas escavações e descobriu-se um sítio arqueológico que inicialmente, servia como fonte de pedras para outras construções. Felizmente este equívoco foi reconhecido e agora a área está sendo preservada. A cidade foi fundada em 1535 e o seu centro histórico compreende o Palácio do Governo, a Catedral de Lima, o Palácio Episcopal e o Palácio Municipal, o Convento e a Igreja de San Francisco. Tudo impecavelmente limpo e organizado. Uma cidade a ser visitada, porém não muito diferente do que qualquer outra metrópole que você tenha conhecido.

E assim, instalado confortavelmente em meu assento no retorno ao Brasil, apenas uma certeza, a de que um dia voltarei.. 

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