Saúde & Bem-estar

Papo pet | Dra. Kelly Sturmer fala sobre os cuidados com a saúde dos animais de estimação

1 de setembro de 2015

Desde criança, ela já se considerava fascinada por animais. Diz que sua mãe conta que, na época de sua infância, sentia até certa ‘vergonha’ quando estava com ela. Pois, se ela visse qualquer cachorro na rua, sentava no chão, abraçava e beijava, não importando se fosse bravo ou até mesmo sarnento. Kelly Sturmer nunca se imaginou trabalhando com outra coisa a não ser a veterinária. Inclusive, seus dois únicos sonhos eram se formar em Medicina Veterinária e ir para África. E não é que ela já realizou os dois?

Aos 17 anos, ela já estava na universidade e, aos 22 anos, estava formada. Antes mesmo da formatura, aos 21 anos, foi admitida para trabalhar no Kruger Park, Parque da África do Sul. Lá trabalhou no atendimento de animais selvagens. “Foi uma expêriencia única! Era como viver um filme!”, revela.

Já durante a faculdade, seu interesse pela área cirúrgica e pela oncologia era grande, justamente por serem assuntos difícies e pouco estudados, porém, muito comuns e recorrentes na rotina da Medicina Veterinária.

Ela, que sempre teve seu negócio próprio, atualmente dedica-se somente a atendimentos específicos nas áreas de cirurgia plástica reparadora e oncologia clínica e cirúrgica. A escolha por deixar o empreendimento próprio de lado veio do sentimento de ter considerado muito massante a rotina de empresária, já que se sentia muito presa e, até mesmo, quase ‘proibida’ de continuar estudando, algo que valorizava e queria muito. Sendo assim, escolheu se focar somente nos atendimentos, podendo manter suas atualizações e estudos – já são vários cursos e três especializações concluídos – e, consequentemente, também passou a se dedicar ainda mais aos pacientes que requerem mais atenção, como os animais mais idosos, por exemplo.

Confira a entrevista que a jovem – mas já bastante experiente – e dedicada profissional da área da Medicina Veterinária concedeu com exclusividade para o blog Maggda Mombach.

MB – Quais são os cuidados – mais simples e básicos – que os tutores devem tomar com seus pets desde pequenos, para que eles tenham uma velhice mais tranquila e saudável? Há vacinas e/ou tratamentos que sejam especiais para a prevenção destas doenças que podem chegar na velhice?

O filhote precisa receber as vacinas contra as doenças infectocontagiosas e essas devem ser repetidas todos os anos. Vermífugos são necessários a cada 3 meses e antipulgas a cada 1 a 2 meses. A alimentaçao é outra parte importante, por isso, fornecer uma ração de boa qualidade e água fresca à vontade, é imprescindível. Para prevenir doenças na fase idosa, há algumas recomendações:

  • Castração do filhote entre 5 e 6 meses de idade;
  • Ração de boa qualidade;
  • Controle do peso;
  • Check up anual;
  • Exercícios fisicos regulares;
  • Fornecer apenas alimentos próprios para pets;
  • Exposição solar adequada;
  • Convívio com outros animais.

MB -Há algum comportamento que nós humanos permitimos/estimulamos em nossos animais de estimação e que, com o passar dos anos, pode acarretar em problemas de saúde?

Sem dúvida, a alimentação é o primeiro problema. Os proprietários tendem a ficar com pena porque o animalzinho fica pedindo comida durante as refeições da família e, assim, acabam sempre cedendo alimentos da sua própria dieta. É muito comum as pessoas oferecerem pães, biscoitos, ossos de churrasco e comida caseira em geral. É preciso entender, de uma vez por todas, que os animais possuem necessidades nutricionais diferentes das nossas, tanto na quantidade de calorias, quando de proteínas e sal. Tudo é diferente! Apenas uma ração de boa qualidade fornecerá um balanço nutrional adequado para a saúde deles. A alimentação apropriada é a chave para uma velhice saudável!

Outro problema que considero muito grave são aqueles animais que estão habituados a fazer as necessidades fisiológicas apenas na rua, porque o proprietário não quer sujeira dentro de casa. Muitas vezes, o animal acaba urinando apenas uma vez ao dia, que é quando sai para passaer. Isso é péssimo para o rim, que por sua vez, acaba não funcionando corretamente, e também para a bexiga do animal, que fica com a urina armazenada por muito tempo. Pedras no rim e na bexiga estão cada vez mais comuns nos pets e, muitas vezes, isso ocorre por responsabilidade única e exclusivamente dos proprietários. A solução para isso é estimular o pet a urinar em uma fralda higiênica, por exemplo. Assim, ele fica à vontade pra decidir quando ele precisa esvaziar a bexiga! Se ainda assim for dificil entender, sugiro que os donos dos animais pensem neles memos urinando apenas uma vez ao dia. Assim, creio que dá bem para entender o que o animal passa.

Com uma vida cada vez mais corrida e agitada, onde a falta de segurança leva a poucas saídas para a rua, os pets, assim como nós humanos, acabam também se tornando mais sedentários. Este comportamento tende a acarretar sobrepeso nos animais, especialmente, nos mais velhos e/ou castrados. Quais são suas dicas para evitar esse tipo de problema?

A primeira dica é nunca ter apenas um animal, especialmente, em apartamento. Eu sei que é dificil, mas eles precisam interagir com outros animais, isto é fundamental para uma saúde psicológica deles. Animais que possuem um amiguinho da mesma espécie tendem a ser mais equilibrados mentalmente e, claro, felizes.

A segunda dica é estimular o cão a brincar com uma bolinha e o gato de brinca-esconde, por exemplo. Eles adoram! Vinte minutos de brincadeira intensa já são suficientes. Além do contato fisico com a familia, o animal consegue gastar energia e controlar o sobrepeso.

Quando o animal é obeso, indico caminhadas leves de 5 minutos, 2 vezes ao dia, que podem ir aumentando lentamente de acordo com o progresso.

É bom ressaltar que os cães e gatos não suam, portanto não perdem calor. Sendo assim, no verão, caminhadas acima de 20 minutos podem ser fatais devido ao aumento de temperatura corporal e desidratação.

 MB – Quais são as doenças naturais da velhice de um pet? Quais são os principais sinais que revelam que os animais estão as desenvolvendo?

Nos cães, os problemas nas articulações, coração e rins são comuns. Nos felinos, nos preocupamos com a diabetes, disfunções da tireoide e rins.

É preciso conhecer bem seu animal de estimação. Os sinais de dor muitas vezes são sutis, por isso passam desapercebidos. O simples fato do animal não querer levantar da cama, brincar ou se alimentar pouco já deve ser considerado importante.

A perda de peso, aumento exagerado no consumo de água, agitação e agressividade, choro, não atender quando chamado, desodrientação e dificuldade de caminhar são grandes indicativos de que alguma coisa não vai bem. Nesses casos, procure imediatamente o médico veterinário. Ou seja, qualquer mudança no comportamento do pet deve ser levada a sério.

A partir de qual ‘idade’ um pet é considerado idoso? E, partir disso, é necessário que as visitas ao veterinário sejam mais frequentes? De quanto em quanto tempo é o ideal?

O cão, a partir dos 7 anos é considerado maduro e, depois dos 12, idoso. Já o gato, a partir dos 7 anos é considerado maduro, e dos 11 aos 14 é considerado senior e, só a partir dos 15 anos, é considerado idoso.

Tanto para cães, quanto para gatos, recomendo um check anual a partir dos 7 anos de idade. A partir dos 10 anos, dois check ups por ano são necessários.

Mesmo com todo o cuidado que um tutor possa ter, o animal de estimação pode acabar desenvolvendo alguma doença resultante das fases do envelhecimento. Que cuidados os humanos devem ter para tornar os períodos de tratamento mais tranquilos e menos sofridos para seus pets?

Quanto antes o problema for diagnosticado, melhor. O tutor deve realizar o tratamento exatamente como o indicado pelo médico veterinário. Em casos de doenças graves ou raras, sempre indico o proprietário de pets buscar no mínimo três opiniões diferentes, pois cada veterinário possui um método de tratamento e um tipo de experiência com aquela doença. Lembrando que nenhum tratamento é simples de ser feito. Todos requerem disciplina com os horários das medicações, paciência e carinho.

MB – Referente à cadastração, qual é sua opinião? Em um animal adulto e já mais velho, você considera ser importante esta ação, como um método de prevenção de desgaste do organismo?

Hoje sabe-se que a castração é sempre benéfica, tanto em fêmeas, quanto em machos, tanto em animais jovens, quanto idosos. Claro que quanto mais cedo (cerca do 6o mês de idade) ela for realizada, melhor. Em animais idosos, o procedimento também se torna benéfico por excluir totalmente as chances do animal desenvolver tumores no sistema reprodutor.

 

Assim como os humanos, os animais de estimação também vem sendo acometidos por diversos casos de câncer. Quais são os mais comuns entre os pets, em sua opinião? Você considera que o desenvolvimento desta doença nos pets está relacionada, principalmente, a quais fatores?

Câncer de pele e câncer de mama são os mais comuns. No caso do primeiro, a exposição solar exagerada a produtos químicos e lesões constantes são os principais iniciadores das mutações genéticas que levam à doença. No segundo, também é bastante comum nas fêmeas, principalmente pelo uso das injeções de anticoncepcionais, a gravidez psicológica com lactação, cistos ovarianos e a grande quantidade de gestações.

É bom esclarecer que o câncer tem cura e tem tratamento, e quanto mais cedo for diagnosticado, mais fácil será a cura. Não é porque o animal tem a doença, que sua vida está condenada.

MB – Deixe uma mensagem/dica/opinião sobre a falta de informação e conhecimento acerca dos cuidados que um pet exige e que acabam, por muitas vezes, acabando no abandono destes.

Minha dica para quem quer um animal é saber que, primeiramente, ele vai custar dinheiro, exigir tempo e paciência. Caso a pessoa não possua algum destes, ela deve pensar duas vezes antes de ter um pet, pois aí, a chance de se arrepender é maior.

É necessário avaliar o espaço disponível em casa, pois não adianta colocar um labrador dentro de um apartamento ou um poodle num pátio de fazenda. Para quem mora em apartamento, indico os gatos, pois se adaptam super bem.

E, claro, que sou a favor a adoção de animais. Há muitos deles super fofos e queridos à espera de uma família. Você pode adotar um filhote ou adulto. Particularmente, aconselho a adoção do animal já adulto, pois aprendem com mais facilidade e não dão tanto trabalho quanto o filhote. Além disso, são eternamente gratos!

Serviço:

Dra. Kelly Sturmer
(51) 9959-2742

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