Saúde & Bem-estar

SAÚDE | Acupuntura: técnica milenar é eficaz na prevenção e tratamento de doenças

4 de setembro de 2015

Buscar o equilíbrio entre corpo, mente e espírito é o princípio básico da acupuntura, que visa equilibrar o organismo como um todo. A acupuntura é um ramo da Medicina Tradicional Chinesa, que nasceu há 5 mil anos e consiste na aplicação de agulhas em pontos-chave do corpo para obter efeitos terapêuticos.

A fisioterapeuta Denise Winkler trabalha com acupuntura há mais de dez anos. Primeiramente, ela fez especialização no Ibrampa (Instituto Brasileiro de Acupuntura e Moxabustão de Porto Alegre). Mas, buscando aprimorar ainda mais seus conhecimentos, ela foi até Beijing, na China, em 2004. Do outro lado do mundo, Denise estudou por três semanas na World Federation of Acupuncture, onde viu de perto a aplicação da acupuntura por quem entende da técnica há mais de 5 séculos.

 

denise china 022_editado

 

“O objetivo principal da acupuntura é prevenir doenças”, salienta. O mecanismo de ação da acupuntura tem sido associado ao estímulo neuro-humoral para a liberação de certas substâncias como norepinefrina, endorfina, encefalinas, serotonina e a liberação ou inibição de algumas substâncias que atuam na sensação da dor. Também estariam envolvidos mecanismos de vasoconstrição ou vasodilatação que resultam no aumento de células leucocitárias. Denise fala que trabalha com as técnicas de Auriculoterapia, Moxa, Ventosa, Acupuntura Sistêmica e Eletroacupuntura. “A acupuntura atua em pontos do corpo, desbloqueando o fluxo de energia e sangue para manter o organismo funcionando em harmonia”.

A acupuntura trata e previne doenças, através de pontos locais e à distância. Pode tratar  e amenizar sintomas de qualquer doença, desde as mais comuns, como enxaquecas e dores nas costas, como aquelas crônicas, como o Alzheimer, por exemplo.  Outra técnica utilizada é a sangria, que consiste na retirada do sangue. Antigamente realizada com sanguessugas, na acupuntura utiliza-se agulha e ventosa no ponto de estagnação de energia, que é exatamente o local de dor aguda. Entre as queixas mais comuns de quem chega até o consultório, Denise diz que estão as alterações emocionais, como depressão, ansiedade e insônia, enxaqueca, fertilidade, hipertensão, obesidade, diabetes, alergias, dores no geral e entre outros.

No primeiro momento, é feita uma avaliação do paciente. “Em seguida, é traçado um tratamento e em todas as sessōes é realizado uma liberação na coluna para desativar contraturas visando um relaxamento e  soltar a tensão. Depois são aplicadas as agulhas, que agem por 20 minutos e, por fim, é feita uma tração cervical”, conta a profissional. A sessão dura, em média, 40 minutos. As agulhas utilizadas são descartáveis e de uso individual. Inicialmente, são recomendadas 10 sessões, uma ou duas vezes por semana, conforme o caso. Depois, são feitas as sessões para manutenção do tratamento. Denise associa a acupuntura ao método de RPG (Reeducação Postural Global), que consiste em ajustamentos posturais para reorganização do corpo.

Denise também utiliza a auriculoterapia como tratamento complementar. Esta técnica, na qual são aplicadas micro agulhas na orelha, é baseada na ideia de que a orelha é um microssistema do corpo humano. As orelhas possuem pontos estratégicos que correspondem aos nossos órgãos/vísceras e algumas funções do corpo. Quando estas áreas são estimuladas, o cérebro recebe um impulso e reage, a fim de promover o equilíbrio do corpo. Há ainda, a eletroacupuntura que, através de um eletrodo, acentua a estimulação da agulha.

O que agride o organismo, segundo a fisioterapeuta, são os fatores exopatógenos, como por exemplo, fatores climáticos (frio, calor, umidade) e fatores emocionais (preocupação, raiva, tristeza, até mesmo alegria em excesso, pois tudo o que é em excesso é prejudicial para o nosso organismo). Eles agridem os órgãos internos e, assim, tem início o ciclo de doença. “É importante salientar que a acupuntura é uma técnica que não tem efeitos colaterais, diferente de um medicamento”.

Denise atende no consultório do geriatra  Dr. João Senger, em Novo Hamburgo, na clínica Fonttanive, em São Leopoldo, e a domicílio. Mais informações pelo telefone 8148 0023 ou e-mail winkler.denise@hotmail.com.

 

História

 

Na China de milhares de anos atrás, um soldado sentia terríveis dores de cabeça. Certo dia, numa batalha, levou uma flechada no pé. Depois que um curandeiro retirou a seta e tratou a ferida, as persistentes enxaquecas do guerreiro desapareceram como por encanto. Intrigado, o sábio experimentou espetar espinhos e fez uma relação entre a área do ferimento, próxima ao tendão de aquiles, e o alívio de dores localizadas em outras regiões, mesmo distantes, na cabeça. Assim, aprendeu a tratar diversos problemas de saúde usando o mesmo artifício: acionar pontos-chave do corpo.

Esse relato, sem nenhuma referência de data ou local, se estabeleceu no imaginário popular como a descoberta da acupuntura, a faceta mais conhecida da medicina tradicional chinesa (MTC) entre os ocidentais. A história não passa de lenda: há variações dela em que o soldado vira caçador, a flecha, um dardo, e por aí vai. O que existe de concreto é que, no lugar exato da descrição do ferimento do tal soldado, a acupuntura assinala um ponto chamado kunlun, que tem propriedades analgésicas. Por ele, passa um caminho, um meridiano que começa no canto do olho e termina no pé.

Praticados ainda hoje, os princípios da MTC foram estabelecidos há cerca de 5 mil anos. Baseados no conceito de que a saúde do homem é fruto do equilíbrio da energia vital, os chineses desenvolveram os métodos terapêuticos que compõem seu repertório: além da acupuntura, há a fitoterapia (o uso de plantas medicinais em forma de chás, extratos e cápsulas), a dietoterapia (que combina cores e sabores dos alimentos), as massagens (como o tui ná e o shiatsu) e os exercícios físicos, como o tai chi chuan e o lian gong.

Esses princípios se baseiam na concepção do universo segundo o taoísmo, conjunto de tradições filosóficas e religiosas inauguradas pelo mestre Lao Tsé, um contemporâneo de Confúcio, que teria vivido no século 6 a.C. A filosofia do tao (“caminho”, em chinês), segundo a qual a natureza é harmônica e organizada, mas está em constante mutação, influenciou fortemente o budismo e o confucionismo, outras fontes da medicina chinesa. Na visão dos orientais, tudo o que existe no universo é feito de energia, inclusive o ser humano. Para que haja saúde física e mental, a energia deve fluir e circular pelo corpo em equilíbrio e harmonia – os dois estados responsáveis pela ordem das coisas na natureza.

 

Você pode gostar também