Viagem

VIAGEM | De volta para casa – Por Carina Winck

15 de agosto de 2016

O post de hoje conta com uma participação muito especial da Carina Winck, que atualmente mora em Londres, e tem experiências incríveis pra compartilhar conosco!

Ela nos contou um pouco de como foi a sua decisão de mudança de vida: De volta pra casa.

Esse foi o sentimento quando, literalmente, ” sai pela porta de entrada” do aeroporto de Londres, no dia 29 de janeiro.

Esse “retorno pra casa” se dá pelo fato de ter morado fora do Brasil –  na Irlanda –  por 3 anos. Na verdade foram três anos muito bem vividos, mas com a saudade dos familiares falando mais forte, decidi retornar ao Brasil, onde até então, sempre morei.  Exatos 4 anos, tentando encontrar o sentimento completo de estar ali, apesar de nunca ter encontrado.
Nesse período comecei a fazer uma jornada de auto-conhecimento . Aprendi muito sobre energia -aquilo que esta conectado – o sentimento no menor detalhe. E a cada dia que passava aprendia também o dom da paciência. No final de 2014, decidi:  faria as malas e  embarcaria novamente para o “velho mundo”. Foi também neste momento que  minha conselheira “puxou minhas orelhas” e me convenceu de que ainda não havia chegado a hora certa.  Como assim, se eu já havia renovado meu passaporte? Seria apenas uma fuga em meio a um caos de sentimentos. E ela estava certa.
Foi então que esqueci daquela história doida. Pelo menos até o ano seguinte…. Continuei na minha rotina, fiz algumas viagens pelo Brasil e conheci amigas que me acompanharam em todas elas. Mas no fundo, sempre a insatisfação, a saudade. As coisas foram acontecendo e tomando outra forma; parecia que era eu indo pro fim do poço mais uma vez. Mas não! Hoje entendo que tudo, estava indo para seu devido lugar.
A relação de paciência e conexão é muito grande, pois esperar o momento certo exige muito auto-controle. E digo isso porque, quando se menos espera, aquilo que desejamos e onde focamos a energia, acontece. E foi assim que retornei “para minha outra casa”.
Era semana de Natal, e meu amigo que há anos mora em Londres ligou: ”Carina, deixa de ser boba, vem pra cá, te ajudo até tu te organizar!”. Sem pensar duas vezes, sem colocar aquela ideia louca no lugar, pesquisei a passagem, fiz a reserva e só precisava esperar a segunda-feira chegar para ir até o banco pagar e concretizar a partida. Agi no impulso, no calor da hora,  mas com a certeza que estava tudo certo. A ficha só caiu quando eu estava no caixa entregando a fatura e o dinheiro pra finalizar o pagamento. Isso ficou em segredo por muito tempo. Na verdade esse “muito tempo”foi em relação ao tempo que eu ainda ficaria no Brasil.  Preferi curtir essa decisão – era um momento meu! -. Uma nova etapa que iniciaria. Não queria despedidas…Confesso que o mais difícil foi falar para a família, pois foi nesse momento que realmente notei que a coisa ficou seria. Dali pra frente foram 2 semanas para eu trocar o chinelo havaianas por meias térmicas.
No dia da partida estavam meu pai, minha mãe e minha irmã mais nova no aeroporto. Clima pesado, poucas palavras. Minha irmã pediu pra que fizéssemos um lanche juntas e assim fizemos. A hora passava, mas ao mesmo tempo os ponteiros pareciam estar parados. Era hora do tchau e dos abraços apertados que ficaram na lembrança. Jamais vou esquecer do abraço apertado da minha mãe: quele foi um único, diferente de todos os outros que ela me deu.
Atravessar o portão de embarque sempre doeu, pelo menos quando as despedidas são sem data de reencontro. Mas não demorou muito e  logo já entrei no clima das novidades. Ao meu lado, no avião, dois rapazes finlandeses que estavam trabalhando no Brasil. Já comecei a praticar os ouvidos trocando o idioma. E o mais engraçado: parecia que viajávamos juntos, pois nos dois voos, estávamos na mesma fileira de assentos. Eles foram os primeiros que eu conheci nesta jornada.
Finalmente cheguei no destino final!! Esperei ansiosamente para passar pela imigração, e finalmente, pegar as malas. Quando atravessei a porta de desembarque, o sentimento de alívio logo chegou. Rencontrei meu amigo no meio de muitas pessoas que ali faziam o mesmo, à espera de alguém que chegasse com um caderno em branco, para encher de histórias de vida para contar.
Me sentindo em casa! Em Londres. Uma cidade multinacional, multicultural; onde tudo acontece todos os dias, o tempo todo. Onde as oportunidades estão por todos os lados, onde me sinto por inteira.
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Carina Winck, cursa a faculdade da vida, exploradora de bons momentos, depois de cobranças da sociedade, aprendendo a dizer sim pra vida, arriscando todos os dias. Incentivadora do auto conhecimento. “Tudo esta conectado”.
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