Cultura, Estilo de Vida

REFLEXÃO | A plena paz, por Kalinka Silveira

28 de dezembro de 2016

Convidamos a querida Kalinka Silveira, do blog Soup News, de Gramado, para nos trazer uma reflexão de final de ano. Momento de grandes emoções – e de pensarmos um pouco no momento que estamos vivendo. Kalinka trabalha na área de turismo, mas nos faz viajar muito além do físico com textos incríveis!

A plena paz

A paz, sentimento sublime, protagonista do amor, da harmonia, da saúde, do equilíbrio, da doçura, da leveza, da empatia, da caridade e da humildade, se destaca entre os desejos mais almejados e dedicados nesta época do ano. A data, propícia ao olhar generoso e à atitude desinteressada, nos remete a reconexão com os sentimentos puros e nobres que, desde pequenininhos somos incentivados a cultivar e compartilhar. Momento de doar, receber, perceber, reconciliar, readaptar, reavaliar, renascer. Mas, o que temos presenciado, é que esta data especial tem demorado para chegar. O clima de Natal ainda não se estabeleceu em nossas rotinas. Sabemos que o momento se aproxima, mas ainda há muito a fazer antes de recebê-lo. A correria do dia a dia não nos permite a dedicação a algo que não nos traga renda, afinal, com a instabilidade do país, a queda no consumo e a concorrência acirrada, nos indicam que agora é momento de acumular, para depois, se houver oportunidade, gastar com o que de fato é necessário. Procrastinar virou parte da nossa rotina.

Seria este o caminho? Poupar tempo, gentileza, dinheiro, carinho e atenção?

Há quem pague um alto custo pela paz, quem quantifique seus dias pelas horas trabalhadas, quem se julgue vítima do sistema e se considere preso à rotina do mundo contemporâneo. Há quem escolha viver isolado em sua redoma, com a incapacidade de olhar para o lado e perceber o outro. Há quem deixe de assumir seu compromisso consigo mesmo: dedicar sua sensibilidade e foco em ouvir o som que ecoa do coração. Em compreender a representatividade da paz em seu cotidiano. Em acordar e desejar ser mais paciente. Em acalmar a fala ao interagir. Em segurar a ânsia ao controlar o automóvel. Em agir com empatia e gentileza. Em ser grato pela vida, pela família, pela inteligência, pelo lar, pelo alimento.

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Créditos foto: acervo pessoal Kalinka Silveira

Num mundo de conflitos internos e de guerras declaradas pela livre opinião, pela escolha de crenças, pelos bens materiais, pelo poder de manipulação ou pela simples liberdade de ser, a preciosa paz, é interpretada como algo intangível em certos momentos. Muitas vezes, a esquecemos e nos deixamos levar pela pressa dos outros, pelo ritmo acelerado da vantagem, pela falta de consciência. Entramos no funcionamento automático e atropelamos o agora, buscando alcançar o futuro de forma pioneira. E aí, cria-se uma grande dificuldade em apropriar-se de um estado mental pacífico: pois, assim como outros nobres sentimentos e sensações, a paz precisa ser reconhecida e exercitada para ser, de fato introjetada em nosso ser, instalando-se, desta forma, uma consciência serena e de amor. Sem a paz, as prioridades e os valores íntimos individuais se desconectam com o propósito maior: amar – a nós mesmos e a quem nos rodeia. Afinal, como diria Albert Einsten: “A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.”

Kalinka Moz Silveira

Graduada em Letras pela UFRGSEspecialista em Gestão da Produção Cultural

Secretária Adjunta de Turismo de Gramado

Confira um pouco mais do trabalho de Kalinka no blog: http://www.soupnews.com.br/blogdakalinka/

 

**créditos da imagem destacada: Cleiton Thiele

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