Eventos, Moda

MODA | Tendências SPFW 43, por Lu Haubrich

23 de março de 2017

Primeira semana de moda do ano em São Paulo nos fez pensar em muitas coisas – com o novo calendário dos desfiles e do novo modo dessas produções se desenrolarem no mercado – inclusive nossa forma de consumir e desenvolver novos produtos.

Podemos ver pelos depoimentos – pra quem acompanhou as coberturas durante o evento – que as marcas disponibilizaram suas criações dentro de uma semana para o consumidor nas lojas. Isso mudou completamente o nosso comportamento perante as novidades, e olhando pelo viés de produção (que é a minha área) imagino o tamanho da reestruturação que essa nova forma de organização se coloca.

Admito que eu gosto muito dessa ideia de imediatismo – sou de uma geração que não tem muita paciência. A ideia de ver um desfile, gostar das peças e de 2 a 7 dias ter acesso a elas, com certeza gera mais desejo e rotatividade para as marcas. É importante lembrar que a forma de interação mudou, e que os consumidores têm acesso imediato ao que se passa pelas passarelas no mundo todo.

É impressionante a rapidez com que as coisas dentro da indústria da moda se comportam – já me surpreendia antes. Agora, tenho certeza que alguma corrida contra o tempo deve ter acontecido. Mas, nada que não possamos nos adequar e melhorar com o decorrer do tempo. Antes, as marcas podiam ter um pouco mais de calma quanto a sentir o resultado e o impacto das apresentações. Agora, devem saber por que precisam produzir tudo aquilo que pensam que vai cair no gosto das pessoas – e colocar nas araras. A previsão da produção de cada item é um dos pontos mais difíceis pra quem trabalha com moda. Eu gostaria muito de ver de perto o trabalho dessa adequação, de verdade. Não sou formada ainda (estudo engenharia de produção, final de curso) mas que mudanças em processos de produção me atraem – e muito – atraem!

Toda essa “bagunça” acontece por que a nova geração não quer mais consumir por consumir, não quer mais esperar pelas coisas, e não quer mais nada que dificulte a satisfação dos seus desejos. Queremos ver e comprar, queremos ter acesso as coisas que gostamos, e pagamos mais por isso.

Além da adequação perante a produção das peças em si, para atender o público imediatamente com as coleções novas, tem o envolvimento de mais pessoas trabalhando simultaneamente – em desfiles, produção de moda, confecção das peças, logística imediata – o que nos faz enlouquecer (um pouco). Como engenheira, acredito cada vez mais na necessidade de vermos a cadeira sistêmica, funcionando como uma engrenagem que depende de todos trabalharem juntos – desde o fornecedor de tecido até o expositor da loja no varejo. E foi exatamente sobre essa busca pela economia colaborativa e trabalhos compartilhados, que foi muito falado no SPFW.

A edição 43 trouxe o Projeto Estufa: uma plataforma criada para mostrar diferentes formas de criar, produzir e distribuir moda. Literalmente influenciar e inspirar novos comportamentos, e trazer reflexão a respeito de como produzir e inovar nesse setor – trazendo à tona todos os questionamentos a respeito de produções mais sustentáveis e toda essa mutação já comentada aqui. Vale da Seda, Helen Rödel, CA.CE.TE, ERA, Llas e a Beira foram as marcas que apresentaram conceitos dentro dessa vertente nos desfiles.

Backstage marca llas pelo Projeto Estufa

Tramas da Helen Rodel pelo Projeto Estufa

Coleção Vale das Sedas por Eneas Neto para o Projeto Estufa

Cacete Company estreando nas passarelas pelo Projeto Estufa

Agora, é hora de mostrar um pouco das tendências que vimos por lá:

Um dos pontos fortes de (praticamente) todos os invernos (pra mim, de todas as estações): o clássico P&B. Foram raras as marcas que não destacaram esse estilo. Misturado a esse sempre-tem-que-ter, vieram as formas geométricas, e os looks total white.

Preto e Branco geométrico da Lollita

P&B – João Pimenta

Total white – Apartamento

As cores neutras – beem neutras – também apareceram bastante. Inclusive em looks total nude:

Tons neutros geométricos da Lollita

Cores naturais da Lilly Sarti Brand

Brilho da Lilly Sarti Brand

Total Nude – João Pimenta

As cores também não ficaram de fora desse inverno – principalmente o vermelho. Ele apareceu em estampas, flores, com brilho

Cores vermelho, verde e tons neutros da Patbo

Estampa Floral escura da Isabela Capeto

Bomber Jaceket da Lab Fantasma

O estilo e o verde militar também deram as caras:

Florais, tons escuros e verde militar da Sissa Brasil

Militar da Alagarçone

Estampa militar colorida da Isabela Capeto

Os paetês e o brilho estiveram muito nos desfiles também, continuando com a tendência do futurismo e do metalizado.

Paetês da Lab

Paetês da Tigresse

Referência espacial da Ellus Second Floor

Brilho da Apartamento 03

O veludo molhado, que vocês já devem ter ouvido por aí, apareceu em todas as tendências, inclusive nos trajes mais esportivos!

Veludo e brilho da Apartamento

Look esportivo em novos materiais (veludo molhado) da Patbo

Look esportivo em novos materiais (veludo molhado) da Patbo

Look esportivo em novos materiais (veludo molhado) da Patbo

Ombros em destaque… uma volta aos anos 70 e 80! Às vezes é difícil de aceitar, mas tem o seu charme, né?! Os babados também continuam em alta.

Volume nas mangas da Gig Couture

Cortes de alfaiataria também foram destaque nos desfiles. Inclusive misturando as demais tendências, modernizando os clássicos:

Alfaiataria e tons neutros da Ellus Jeans Deluxo

Alfaiataria com brilhos da Apartamento 03

Alfaiataria Apartamento 03

Outro detalhe que me chamou atenção foram os vestidos fluídos e com transparência – já estamos acostumados com essa! Notem que o vermelho e o dourado aparecem nas estampas ou nos acessórios como pontos de luz.

Vestidos fluídos da Fabiana Milazzo

Transparência da Fabiana Milazzo

E, por fim, os bordados em peças inusitadas e o jeans, que continua em roupas e acessórios (nosso sempre e querido jeans)!

Jeans bordado da Fabiana Milazzo

Jeans da Amapô

Projeto Estufa – Era | Foto: Zé Takahashi

E o melhor… já estão nas lojas!

Dá pra ficar frio agora?!

Imagens: FFW, @spfw e VOGUE.

Com amor,

Luciana Haubrich

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