Eventos, Moda

EVENTOS | FRANCAL 2017 – ARTE, MODA, EXTRAVAGÂNCIA, SAPATOS E PAPEL! Por Christian Thomas

11 de julho de 2017

Foi-se o tempo em que desenvolver um sapato de moda era uma qualidade de quem entendesse apenas de sapatos. Não que hoje não seja … mas há outras expertises que formatam e capacitam o novo profissional da área de desenvolvimento de produto.

O grande diferencial inicial é a própria maneira de pesquisar. As vitrines europeias estão cada vez mais distantes de nossos olhos. Ou, pelo menos, deveriam, afinal, vitrines de Europa servem muito bem aos consumidores locais. Nós, brasileiros, já temos outras necessidades. Ah.. temos também outros anseios… outros gostos, outras atitudes … enfim, outros comportamentos.

Assim que, desta forma, esses comportamentos dos consumidores passam a tomar um lugar obrigatório na lista dos afazeres dos profissionais desta área. A técnica permanece importante, afinal, não há engenharia bem desenvolvida sem o conhecimento técnico do profissional. Mas áreas antes inexploradas passam hoje a tomar grande espaço no ato de criar e desenvolver produtos, sejam eles quais forem, para uso pessoal, de moda ou simplesmente para uso descompromissado.

Dentre essas novas expertises, a ARTE é tema imprescindível para as novas coleções. De uma ou de outra maneira, no design ou no detalhamento dos produtos, a arte é presença marcante nas texturas, nas formas, nas cores e nos modelos. Aqui, não é a vida, mas sim o sapato que “imita” a arte. Ou a arte imita o sapato. Bem… de que nos importa o que vem à frente, mesmo?

Os produtos apresentados nessa edição da FRANCAL são parte de um dos grupos comportamentais que estudamos com profundidade investigativa aqui no Studio 10. Ou seja, os EXTRAVAGANTES, afinal, não há minimalismo nas coleções. Hoje, menos é menos… e mais nem sempre é o suficiente!!! Não há nada de errado em ser extravagante. A extravagância a que me refiro é a do calçar e do vestir.

Necessariamente ninguém precisa ter atitudes e ações extravagantes. O visual já é ótima maneira de extravasar o espírito. Assim que, pedrarias, bordados e ornamentações diversas são o “must” dos produtos. Caso a ornamentação não seja algo excessivo, as misturas de cores e texturas se sobrepõem ao visual retilíneo e comportado dos calçados. São muitas as combinações contrastantes entre forros e cabedais!

Mas além dessa pegada “ornamental”, paralelamente, mas “super tudo a ver”, a FRANCAL nos trouxe um toque especialíssimo de arte. O artista Enrique Rodriguez, arquiteto e designer industrial formado no Chile, tirou seus projetos do papel e trouxe ao –  bem, como dizer… bom – trouxe de volta ao papel … contudo feita, com tridimensionalidades, cores, luzes e sombras de encantar os sapateiros de hoje e “das antigas”. Quem quiser saber mais sobre o artista, “Google” nele, pois quero aproveitar o espaço aqui para menos detalhes sobre ele e mais sobre a obra.

Assim sendo, “DO PAPEL AO SAPATO” estava escancarado na parede da entrada principal da FRANCAL. Cores e luzes, papéis e quadros que impressionam pela técnica e pela plástica do trabalho do artista, autor da técnica “Arquitetura de Papel”, em que superpõe estruturas tridimensionais de papel em diferentes medidas, criando jogos cenográficos de luzes e sombras através do recorte de formas orgânicas e geométricas. Apesar de orbitar por outras áreas, a paixão do artista pelo sapato vem desde sua experiência e vivência com a Itália. Rodriguez é criador da UNIVERSIDADE DO PAPEL, com sede em São Paulo e, hoje, com ramificações pelo Brasil e por países da América Latina.

“A Exposição Do Papel ao Sapato” não só é inédita e exclusiva para a FRANCAL 2017, como também marca uma nova etapa na carreira artística de Enrique Rodriguez. É a primeira vez que cria uma mostra com um tema alheio ao que costuma produzir. A inspiração para a exposição veio da admiração que tem pelo sapato como objeto de design e pelas possibilidades que oferece para intervir suas formas com a técnica de sua autoria, Arquitetura do Papel. Para o artista o sapato é um objeto altamente sofisticado, que permite múltiplas possibilidades de construção arquitetônica e o papel, por ser um material maleável favoreceu esta pesquisa e a descoberta de diferentes planos e construções plásticas”

“A sua participação nesta feira é uma prova disso, poder mostrar que materiais, criatividade e ousadia conseguem se comunicar através de uma proposta artística”

Texto acima em negrito é da Curadoria da exposição, UNIVERSIDADE DO PAPEL e FRANCAL!!

Então … eu diria que nem só de vendas se faz um evento como a FRANCAL. A vida pulsa ao redor de tudo isso… inspira e expira, cada vez mais e melhor, e acima de tudo, ARTE, MODA, EXTRAVAGÂNCIA, SAPATOS e PAPEL!!!

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