Cultura, Gastronomia

GASTRONOMIA | O CAMINHO DO AZEITE DE OLIVA EXTRA VIRGEM, POR EUNICE SPINDLER

21 de setembro de 2017

Primeira parada: Chile

Há muitos anos sou apreciadora de azeites. Estudar a olivicultura surgiu de repente. Ao longo do tempo o interesse foi crescendo, minha curiosidade só aumentava e quando percebi, estava mergulhada no assunto azeite de oliva. Mas uma coisa é certa; ele estava esperando por mim. Ele acompanhava o meu entusiasmo e o momento em que eu estivesse pronta para conhecê-lo melhor. Comecei a pesquisar e seguir todo tipo de material que se relacionasse ao azeite de oliva extra virgem. Uma conhecida querida começou a produzir azeites aqui no Rio Grande do Sul e só reforçou minha vontade de seguir nessa direção. Iniciei um curso de análise sensorial na Universidade de Lisboa. Obtive vários contatos no meio e nas redes sociais e com um deles surgiu uma amizade à distância.

Conheci Carlos Eduardo Díaz no Instagram e começamos a trocar ideias sobre o azeite de oliva extra virgem. Carlos estudou Engenharia em Agronegócios na Universidade Central do Chile. Ao se formar decidiu, juntamente com o irmão, explorar as terras que a família possuía em Puente Negro. A fazenda, adquirida pelo avô de Carlos em 1952, até então destinava-se a plantação de feijões, pastagens, criação de gado e cavalos.

Impressionados com a disseminação da dieta mediterrânea pelo mundo e o crescente consumo do azeite de oliva extra virgem, Carlos, o irmão Juan Pablo e o pai Juan Carlos decidiram experimentar o cultivo das oliveiras em solo chileno, atividade que estava começando no país mas de forma muito incipiente. Eles então construíram um viveiro para reproduzir as plantas e estudar seu comportamento. Com esse processo, conseguiram comprovar que o vale de Puente Negro possuía um microclima privilegiado e condições fitossanitárias compatíveis com as necessidades das oliveiras. Isso fez com que adquirissem a experiência necessária para viabilizar esse projeto.

Em 2001, 3,7 hectares haviam sido plantados com os cultivares de origem espanhola Arbequina e Picual. Com o tempo, a área do pomar foi aumentando gradativamente até chegar a 45 hectares e mais cultivares foram introduzidos: os italianos Frantoio e Leccino. O resultado desse empreendimento foi a produção de um azeite de oliva extra virgem de altíssima qualidade. Os azeites Díaz Guerrero, são distintos, de qualidade inquestionável. Se caracterizam pelo sabor singular, característica reconhecida pela crítica especializada na LA County Fair, edição 2008-2009, (o concurso de degustação de azeites mais importante dos EUA) com a medalha de ouro.

Foto de Carlos Díaz

Surgiu então a oportunidade de visitar a fazenda Díaz Guerrero para conhecer pessoalmente Carlos Díaz e adquirir mais conhecimento sobre o azeite de oliva extra virgem, a grande paixão de Carlos. O lugar é deslumbrante. A fazenda se localiza no Vale de Colchagua, a 180 km de Santiago. A propriedade fica ao pé da Cordilheira dos Andes, em San Fernando na sexta região.

Carlos me levou para uma degustação de seus azeites. Experimentei os varietais Arbequina, Picual, Frantoio e Leccino. Todos equilibrados, com muito frescor, aroma frutado e herbáceos. Os azeites Díaz Guerrero, devido aos prêmios recebidos, atraíram a atenção de Fran Gage, americana, crítica culinária e uma das juízas da LA County Fair. Ela visitou a almazara da família Díaz para conhecer o terreno, o solo e o clima chileno aos quais as oliveiras se adaptaram tão bem.

Cata

Eu já havia visto imagens das terras, dos pomares que intercalam oliveiras, videiras e cerejeiras, da almazarra (moinho) e do azeite vertendo da centrifuga horizontal.

Foto de Carlos Díaz

Porém estar lá, tocar nas oliveiras, perceber as diferenças sutis de cada cultivar, era a realização de um sonho. Foi emocionante. Carlos me relatou que na Europa, a aceitação dos seus azeites não foi diferente. Em uma competição organizada pela chilena CORFO (Corporación de Fomento de la Producción) em Palermo na Itália, os provadores acreditavam que o azeite que estavam degustando fosse um óleo produzido na Toscana, distinta era a sua qualidade. Quando foi  revelado o nome do melhor azeite do evento houve uma surpresa geral; Díaz Guerrero, 100% chileno.

A família Díaz Guerrero produz em torno de 30 mil litros de azeite extra virgem por ano e os exporta para Japão, EUA, Espanha, Bélgica e outros países. A meta é chegar a 70 mil litros nos próximos dois anos.

Carlos é obstinado. Sua determinação em produzir o melhor azeite é admirável. Fala do óleo, das oliveiras e da terra com paixão. Dedica-se 100% ao negócio do azeite.  Entender o amor que sentem as pessoas ligadas ao azeite de oliva extra virgem é fascinante. Aprender sobre esse alimento único é mais fascinante ainda. Obrigada à família Díaz Guerrero, especialmente ao meu amigo Carlos Edo Díaz, pela acolhida tão carinhosa. Foi uma oportunidade adorável e inesquecível.

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