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TECNOLOGIA | A SOLIDÃO DAS REDES SOCIAIS, POR CAROLLYNE SPINDLER

29 de setembro de 2017

Redes sociais – como Instagram, Facebook e Twitter – nos conectam de uma forma que nunca  havíamos experimentado. Apesar de toda esta conectividade, pesquisas recentes sugerem que nos sentimos cada vez mais sozinhos (e mais narcisistas), e que esta solidão está nos deixando doentes, mental e  fisicamente.

As conexões digitais aumentam na mesma medida em que se tornam rasas. Apesar de estarmos digitalmente disponíveis a um número inédito de pessoas e informações, nos isolamos cada vez mais de nós mesmos, dos nossos próprios valores, sentimentos e aspirações. Em um mundo consumido por novos modelos de socialização, a sociedade de fato está deixando de existir. São poucos os que refletem sobre este assunto e sobre os impactos que a redes sociais estão causando em nosso convívio social.

Me chamou a atenção que ao organizar os círculos de amigos no Google+ (uma rede social que infelizmente não pegou), o programa especifica que você deve incluir apenas “amigos reais, aqueles com quem você se sente à vontade para compartilhar sua intimidade”. A própria rede social lembrando você da relevância de AMIGOS REAIS, uma expressão tão simples e óbvia, traduz de forma clara a ansiedade e o desespero por atenção que tomou conta destes ambientes digitais. Somos “amigos” de qualquer estranho que cruza nosso caminho e descobre nosso nome: um colega de trabalho com quem pouco falamos, o pai daquela amiga, o frentista do posto onde sempre abastecemos, o garçom do restaurante que frequentamos toda semana. As redes sociais e a política de boa vizinhança nos obrigam considerar a todos como “amigos”, quando na verdade grande parte dessas relações é superficial, não pode ser chamada de amizade e dispensa o compartilhamento de intimidades.

Neste emaranhado de conexões, estabelecer limites e respeitar o bom senso é uma tarefa árdua, que exige muita reflexão e autocrítica. Esta reflexão inicia com a conscientização de que nas redes sociais, nosso EU é um só. Não existe o EU PESSOAL  e o EU PROFISSIONAL. As identidades se fundem em um único perfil, e seremos involuntariamente observados e julgados pela totalidade do conteúdo que compartilharmos. É importante lembrar também que ser espontâneo ou imediatista demais nas redes sociais pode causar danos irreversíveis a imagem pessoal, pois uma vez postado, para sempre “printado”. Você pode até apagar, mas o registro ainda assim existirá.

Escolher com quem se relacionar e o que compartilhar é uma forma de preservar seu próprio espaço, de respeitar a si mesmo. Em contrapartida, viver momentos com intensidade e atenção total à quem nos cerca, sem a necessidade de filmar ou fotografar e tampouco ficar mexendo no smartphone o tempo todo, é uma forma de respeito e dedicação tanto com você quanto ao próximo. Os sentimentos proporcionados pelo convívio do mundo real não são os mesmos que seguidores, curtidas ou elogios virtuais são capazes de proporcionar.

Trabalho no meio digital e não só gosto como necessito estar conectada boa parte do tempo. Inquieta por natureza, me questiono muito sobre minhas próprias atitudes. A forma massiva como as redes sociais tem invadido o mundo real, interferindo em nossos sentimentos e escolhas, me trouxe a esta reflexão. Divido com vocês algumas dicas que tenho tentado colocar em prática para preservar tanto meu espaço quanto minha sanidade mental:

1. Segmente suas listas de amigos

O Facebook permite que você crie listas de amigos, e que selecione quais conteúdos deseja compartilhar com cada lista. Deixe nos “amigos” só quem for amigo de verdade! Você perde likes mas ganha paz de espírito e good vibes!

2. Aprenda a excluir solicitações

Se você não deseja se conectar com alguém ou não tem interesse de que a pessoa veja suas publicações, seja qual for o motivo, permita-se dizer não. Passar por antipática não é nada comparado a ter estranhos ou pessoas de má fé sabendo tudo que acontece na sua vida.

3. Não publique imediatamente

Aquele momento lindo merece sim uma foto, um boomerang, um vídeo. Mas não precisa ser compartilhado instantaneamente! Viver o momento e deixar pra postar depois é um ótimo exercício de autocontrole e de doação para o mundo real.

4. Não escolha um local só porque ele é bom para fotos

Ando cansada de visitar “lugares do momento” só para descobrir que não tem nada de interessante além da decoração. Fuja do mainstream, os melhores restaurantes, bares e lugares para se divertir normalmente são os mais despretensiosos.

5. Não use a rede social para consertar (ou enfeitar) o mundo real

Respeite o seu humor, a sua neura, o seu momento. Postar uma selfie maravilhosa quando você está se sentido um caco não vai melhorar a situação. Compartilhar uma foto linda de um momento que não está bacana, não faz dele melhor.

Para encerrar, confesso que seguir minhas próprias dicas tem sido difícil… Amanhã, por exemplo, é casamento da minha irmã, e já estou aqui pensando em quantas fotos posso postar e nas stories que pretendo fazer. Vou tentar me controlar. JURO.

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