Moda

MODA | FASHION FRAMES, POR LU HAUBRICH

9 de novembro de 2017

Diante de tantas mudanças no mundo, nos deparamos com uma fase de questionamentos em relação a forma com que nos relacionamos, trabalhamos, consumimos, vivemos.

As pessoas estão despertando para uma realidade diferente da que estamos acostumados. Depois de vermos o mundo desenvolvido economicamente em escala global e criar formas de conectar pessoas 24 horas por dia, estamos em um momento em que muitos estão indo contra esse movimento, vendo as coisas de uma forma (ainda mais) nova.

Ao passarmos pela segunda revolução industrial, a massificação da produção e a padronização dos bens foram considerados avanços extraordinários, e, a partir disso, os estudos e criação de ferramentas para a mecanização desse meio produtivo não pararam até hoje. Agora, depois da já chamada quarta revolução, na qual tudo vira digital, mais “rápido”, mais fácil, e mais econômico.

Esse novo pensamento, junto com a crise e as limitações em relação ao meio ambiente e a utilização de nossos recursos visando lucratividade e atendimento de necessidades do homem, faz com que novas formas de negócios, consumo, produção, lazer, comportamento e trabalho surjam. A chamada indústria 4.0 nos permitiu o compartilhamento de informações e a tomada de decisões em tempo real, ao redor de todo o mundo, de forma sistemática.

A partir disso, inúmeros debates estão acontecendo. Eu, inclusive, me deparo muitas vezes com esse tipo de discussão entre amigos, em uma hora que poderíamos jogar conversa descompromissada afora. Estamos com dúvidas, questionamentos: sobre o que fazer, em que lado ficar: o do consumo, crescimento profissional, riquezas, ou o do desenvolvimento pessoal, trabalhos prazerosos, crescimento espiritual e  consumo sustentável a longo prazo, pensando em gerações que ainda estão por vir?! Será que conseguimos ir contra o que estamos acostumados a acreditar e aprender sobre mundo e mercado de trabalho?!

Participei recentemente de um workshop de imersão que trouxe o tema “Como você se sente em relação a moda e consumo hoje?” e “Você está preparado para enfrentar novos paradigmas?” – que trouxe uma proposta de debate e aprendizagem incrível sobre todas essas mudanças, e que nos faz ir além da nossa zona de conforto e tem como objetivo reunir pessoas conectadas ao design e à moda em um ambiente de trocas e aprofundamentos. Ministrado pelas excelentes profissionais e estudiosas no assunto – Gabriela Cirne Lima, Miele Zardo, Carol Bucker e Beth Venzon.

Foi a primeira edição desse evento maravilhoso, em Caxias do Sul, nas lojas Magnabosco. O próximo já tem data e local!

A Beth iniciou as apresentações com a história da moda, com designers, conceitos e práticas que vieram a influenciar a moda como vemos hoje. A Gabi comparou modelos de negócios de moda, e trouxe mudanças de paradigmas que vemos acontecendo no mundo. A Milene abordou a moda sustentável, as mudanças de comportamento e instigou a nossa saída da zona de conforto. A Carol nos ajudou com a implantação de design thinking, e nos fez pensar fora da caixa, com co-criação de cenários futuros com o que aprendemos no decorrer do workshop.

Esse workshop me ajudou a abrir a mente e me aprofundar em alguns assuntos que já me deparei muitas vezes. Estamos em uma transição entre o consumo desenfreado e o não consumo – que causa confusão nas pessoas, que não sabem pra que lado vão. Cada vez mais, as pessoas se tornam responsáveis por aquilo que produzem, e pelo que compram. Assim, o auto conhecimento dá espaço ao consumo consciente, em que apenas compramos o que, de fato, precisamos. Todos esses fatores nos trazem a realidade da colaboração e da economia colaborativa, em que dividimos, doamos, trocamos e emprestamos bens e serviços, criando uma nova forma de comércio e de giro dessas mercadorias – o que nos abre portas para mais um assunto de discussão.

Cada um de nós desenvolveu um frame, baseado nas nossas experiências e novos pensamentos e ideias adquiridas durante os dias que estivemos lá.

 

Nesse contexto, cresce a preocupação com a forma como nossos produtos são produzidos, e a valorização do local, do artesanal e do exclusivo. Inúmeros movimentos acontecem em função dessa nova forma de pensar – o consumo de orgânicos, locais, estilos de vida veganos, tradicionais, diminuição do uso de carros, aumento de novos empreendedores locais.

O crescente movimento LOWSUMERISM é exemplo de tudo isso, que é o consumo equilibrado – apenas compramos aquilo que realmente necessitamos no momento – mudando a mentalidade de que o consumo desenfreado é normal. O aparecimento de marcas e propostas de Slow Fashion, marcas que defendem o artesanal, o duradouro, são realidade atualmente. Produtos handmade, artesãos locais, materiais orgânicos, naturais, brechós e reaproveitamento de materiais estão entre as ideias defendidas por esse novo tipo de comércio e produção. 

O que precisamos hoje é o alinhamento entre o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade, onde conseguimos, apesar de todo o crescimento, manter o equilíbrio no meio ambiente em que estamos inseridos.

A busca por esse equilíbrio ainda vai trazer muitos, muitos debates – e sim, temos que repensar nossa forma de consumir e tratar nosso planeta – com mais responsabilidade e consciência.

O projeto do FASHION FRAMES tem tudo pra crescer – a próxima edição iniciará no dia 17 de novembro, no Instituto Ling, em Porto Alegre.

Por experiência própria, e por saber que muitas pessoas ao meu redor estão se questionando a respeito de todos os pontos que eu trouxe nesse post – vale muito a pena conhecer de perto esse projeto. Aos interessados por business de moda, moda e sustentabilidade, modelos de gestão, ferramentas úteis de criação de cenários e negócios, esse workshop é pra vocês!

Eu amei a experiência!

O link da página do evento: https://www.facebook.com/somosfashionframes/?fref=ts

Espero que gostem!

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