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PETS | POSSE RESPONSÁVEL, POR BIANCA SCHMIDT

21 de novembro de 2017

Decidi (re)iniciar esse texto fazendo uma confissão: não foi fácil escrevê-lo. Não por falta de conteúdo, mas sim pela dificuldade de conseguir sintetizar tantas informações indispensáveis de uma maneira pontual e específica. Escolhi um tema que, a primeira impressão pode soar banal e datado, porém ao longo desse ano atuando como médica veterinária, pude observar que um número expressivo de tutores que não tinham uma noção verdadeira de todos os fatores que englobam introduzir um animal em seus lares. E, principalmente, as consequências dessa decisão.

Na minha concepção, o termo em questão é auto explicativo. Mas esse meu pensamento não condiz com a realidade vista na prática. A definição de posse responsável é simples: assumir a responsabilidade de assegurar o bem estar e saúde animal. Para garantirmos essas condições, podemos organizar alguns pontos importantes a serem pensados antes, durante e após a adoção/compra de um pet. Sempre ressaltando que felinos necessitam uma avaliação bem mais criteriosa e personalizada, pois todos os fatores externos também refletem nos internos.

As características individuais são importantes para efetivar essa união. É necessário observar se o comportamento, o temperamento e o tamanho do pet são compatíveis com o espaço físico disponível e a sua rotina. Os animais mais ativos e agitados, por exemplo, são melhores candidatos para morar em locais com pátios grandes ou com tutores que disponham de tempo diário em suas agendas para dedicar a prática de exercícios e gasto de energia. O temperamento é uma característica individual porém parte dela pode ser esperada através da herança genética – sempre investigar peculiaridades das raças previamente – e, a outra parcela é adquirida, ou seja, consequência das experiências em vida (passadas e futuras). Já o tamanho, acredito que seja bom senso. Se faça o seguinte questionamento: possuo espaço suficiente para o animal se expressar da maneira mais natural possível? Se sim, podemos seguir adiante.

A saúde começa pela prevenção – a qual deve ser administrada por um médico veterinário, sem exceções. Sendo assim, é muito importante prestar atenção na carteira vacinal do animal que adotar ou comprar. Como a maioria das pessoas optam por animais jovens, os locais os entregam apenas com a primeira dose de vacina contra doenças virais, administrada aos 45 dias nos cães e aos 60 dias nos gatos. O protocolo vacinal PRECISA ser conferido na hora da entrega do filhote e continuado pelo novo tutor. Alguns laboratórios recomendam um intervalo de 21 em 21 dias entre as doses e outros, de 30 em 30. Independente, são necessárias, no mínimo, 3 aplicações, sendo que a última é acompanhada da vacina antirrábica. E posteriormente, elas devem ser repetidas ANUALMENTE. Animais mais velhos com histórico vacinal desconhecidos devem receber vacinação antes de receberem um novo lar.

Vale a pena lembrar que, antes da vacinação dos felinos, é interessante que seja coletado sangue para o exame de FIV/FELV. Esse teste deve ser efetuado antes mesmo de introduzí-los em ambientes com outros gatos, afinal o contágio de animais negativos para a doença é feita através dos positivos, principalmente se esses indivíduos irão ter contato direto e íntimo.

A administração de vermífugo também é importante e vai iniciar no primeiro mês de vida do seu bichinho. Em cães, no período entre 15 à 30 dias e em gatos, a partir dos 30 dias. O medicamento tem que ser ajustado ao peso e a espécie dos animais. A mãe deve ser desverminada concomitantemente aos filhotes. Dependendo da presença e da quantidade de vermes expelidos, é necessário repetir a dosagem em 15 dias. Em indivíduos mais velhos, de histórico desconhecido, é indicado fazer coleta e exame de fezes para definir medicamento mais adequado ao tipo de parasita presente. Lembrando que tudo que está sendo abordado aqui deve ser SEMPRE acompanhado e avaliado pelo seu médico veterinário, pois nada substitui a avaliação clínica e presencial do seu animal.

Seguindo nosso raciocínio, existem alguns manejos básicos para a sobrevivência de um animal que devem ser contabilizados. Disponibilizar comida de qualidade, água à vontade e um local seguro são indispensáveis e custosos, logo, devem ser planejados. Cuidados básicos de higiene também entram nessa lista. Os banhos devem ser administrados regularmente em cães, sempre adaptando a frequência as necessidades individuais de cada um. Relembrando que gatos se auto higienizam e não tem essa mesma necessidade de serem levados para banhos frequentes.

A castração também é um assunto que precisar ser abordado. Sua realização fica a critério do tutor, entretanto, é altamente recomendada. Em animais jovens, existem diferentes momentos para realizá-la, o ideal é sempre estar em contato com o seu veterinário para definir o melhor período. O procedimento ajuda no controle populacional, excluindo a possibilidade de gestações indesejadas. Tanto para fêmeas como para machos, a cirurgia traz benefícios comportamentais e preventivos. Diminuem as fugas, as brigas, as demarcações e as doenças de trato reprodutivo. E nunca, em hipótese alguma, faça uso das “injeções contra o cio” nos animais, elas possuem efeitos muito nocivos à saúde.

Garantindo que esses pontos tenham sido considerados, é interessante ressaltar que a saúde do seu novo animal deve ser sempre acompanhada por um veterinário. E que todos esses custos – esperados e inesperados – estejam sendo planejados para receber uma nova vida em seu lar. Lembrando que, os animais domésticos vivem, em média, cerca de 10 a 15 anos e precisarão de todo suporte médico necessário quando adoecerem.  Por isso, quando estiverem pensando em introduzir um bichinho em sua casa, reveja todos esses pontos básicos e se eles estão dentro do seu orçamento. Afinal, exercer a posse responsável é um ato de amor! É um privilégio poder cuidar daqueles que cuidam da nossa alma.

 

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