Viagem

ESPECIAL DESTINOS | POR BRUNA MARIA KIELING BROCHADO

8 de Fevereiro de 2018

Eu morei no paraíso!

Sim, a Nova Zelândia é um verdadeiro paraíso, e quem me conhece um pouquinho sabe bem que aquele lugar transformou a minha vida. Dia 19 de dezembro de 2010, eu havia me formado no Ensino Médio dois dias antes, e naquele domingo à noite eu estava pronta para ir viver a maior e mais linda experiência da minha vida.

Eu sou filha única e naquela época eu tinha 17 anos. Minha avó materna havia falecido há poucos dias, então vocês podem imaginar como foi despedir-me dos meus pais…

Enfim, acabei deixando a minha zona de conforto e fui viver uma nova vida, com muito estudo e trabalho pela frente, porém, contudo, todavia, em um lugar simplesmente mágico.

Depois de me despedir de todos, ao entrar no avião eu tive uma crise de choro jamais vista. Era uma mistura de medo, saudade, curiosidade e brilho nos olhos. Naquela época a Aerolíneas Argentina fazia esse trecho com escala em Buenos Aires. Até aí tudo bem, já que eu “manjava” no espanhol e, na minha concepção, arrasava no inglês, afinal de contas tinha feito seis anos de aula.

Doce ilusão…chegando em Auckland, cidade grande e linda na Ilha Norte da Nova Zelândia, onde eu faria a última escala antes do meu destino final, me deparo com o primeiro desafio: COMO NINGUÉM HAVIA ME DITO QUE O INGLÊS BRITÂNICO ERA TÃO DIFERENTE DO AMERICANO? Socorro, gente! No trecho Auckland – Queenstown eu tive que pagar pelo excesso de bagagem e não entendia uma vírgula do que a moça da companhia me falava. Mas, tá, resolvido!

Lembro de estar muito ansiosa cuidando a rota do avião e quando faltavam uns 10 minutos para o pouso em Queenstown (na Ilha Sul) eu resolvi olhar para baixo e simplesmente pirei. Para todos os lados haviam montanhas e lagos azuis cristalinos. Com certeza uma das cenas mais lindas que eu tenho na minha memória.

Eu havia comprado oito semanas de curso de inglês em uma escola no centro da cidade chamada Language School, a qual eu super recomendo. Gente do bem, professores ótimos e um baita alta astral.

O plano era eu ficar no mínimo três meses, duração do visto de turista – que é concedido no momento de entrada no país e pode ser renovado por mais três meses –, mas o que queria mesmo era ficar mais e mais e mais. E foi o que aconteceu, já que eu acabei ficando um ano por lá.

Depois de dois meses de Nova Zelândia eu consegui um job de camareira em um Hotel (Mercure), e através dele obtive o Work Visa, que me dava permissão para ficar mais um ano por lá. Essa foi uma baita experiência. Dezessete anos, filha única, deixando o conforto da casa dos pais para limpar “patente” e arrumar o quarto dos outros. No início foi complicado, mas logo me adaptei e passei a adorar a rotina.

Queenstown é uma cidade pequena, com cerca de 20 mil habitantes, no entanto resta invadida por turistas na alta temporada (inverno e verão). Uma curiosidade é que os brasileiros já são cerca de 20% da população da cidade.

Lá no outro lado do mundo, naquela micro cidade que muito se parece, mas não se compara, com Gramado aqui no Rio Grande do Sul, tudo é colírio para os olhos. Em cada canto algo novo, algo lindo, algo inspirador. A cidade, que é conhecida como uma espécie de “meca” dos esportes radicais, simplesmente encanta.

Tudo naquele lugarzinho funciona, o transporte público é um sonho e a segurança nem se fala. Para vocês terem uma noção a nossa casa não tinha chave, qualquer um poderia entrar a hora que quisesse e nunca aconteceu nada.  No centro da cidade a galera estacionava os carros e deixava a chave no pneu. Segurança nota mil e violência (quase) zero.

Não dá pra negar que quando Deus criou o mundo ele caprichou na Nova Zelândia, mas quando fez Queenstown ele simplesmente arrasou. Localizada às margens do Lago Wakatipu, no sopé dos Alpes do Sul, a cidade é um lugar de belezas naturais sem precedentes e que qualquer um se apaixona no primeiro segundo. Com a sua beleza indescritível a cidade já serviu de cenário para diversos filmes, seriados e documentários. Inclusive a trilogia do Senhor dos Anéis e o The Hobbit foram gravados naquela região.

Com aquele cenário cinematográfico tão perfeito fica impossível não explorar o “great outdoors” da cidade. Existem inúmeras trilhas, algumas caminhadas curtas e outras com duração de um dia inteiro ou até mesmo vários dias, e todas valem muitíssimo a pena.

Outro programa legal e custo zero é curtir o final de tarde às margens do Lake Wakatipu, que fica bem no centro da cidade (e se for no verão dá até para encarar um banho gelado no lago). Na Town – como eles chamam – existem outras opções de passeios também, e um deles é caminhar pelo Queenstown Gardens, lugarzinho lindo, cheio de paz e tranquilidade, com uma vista e tanto.

Apesar de pequena, a cidade oferece uma cena gastronômica vibrante e muito diversificada. Em razão de receber turistas do mundo todo, além de lá ser possível encontrar restaurantes étnicos de vários países asiáticos e de outras partes do mundo (inclusive do Brasil), existem restaurantes que atendem a todos os gostos e bolsos. Minha dica é o hambuguer do Fergburguer e os sorvetes da Patagônia.

Como eu já mencionei acima, Queenstown é considerada a capital mundial dos esportes radicais, já que nesse quesito – e em todos os outros – a cidade não deixa a desejar. Bungee Jump, SkyDive a 15.000 pés de altitude (que eu pulei), jet boating, rafting, sledging, parapende, dentre outros.  Assim, “if you are an adrenaline junkie, you must go there”.

No inverno a cidade lota, afinal de contas Queenstown é cercada por montanhas majestosas, onde ficam as estações de Snow Board e Esqui. Há pelos menos cinco montanhas num raio de uma hora e meia de carro e todas elas oferecem terrenos, condições de neve e pontos de vistas completamente diferentes entre si, o que faz a alegria não só dos profissionais, como também dos iniciantes (meu caso kk).

Como vocês podem perceber Queenstown tem muitas qualidades, no entanto é uma cidade cara. Apesar de ser um dos destinos mais procurados dos mochileiros do mundo todo, ela ostenta o título de turismo mais sofisticado da Nova Zelândia. A região comporta a maior quantidade de hotéis luxury do país. Mas sem desespero, ok? Existem muitas opções de hostels e albergues com aquele precinho justo.

Por ser muito frequentada por jovens, a vida noturna na cidade é muito movimentada e o povo de lá gosta de uma bagunça. Se comparada com o número da população, a Nightlife de Queenstown é de dar inveja à grande maioria de cidades da Nova Zelândia. Ao todo são mais de 30 bares/baladas e dentre eles eu recomendo o Cowboys, o Winnies e o Locos (antigo Altitude).

Outro ponto que faz Queenstown ganhar ainda mais pontos é o clima. As estações são muito definidas, o que permite que sejam bem aproveitadas. No verão é quente – sem ultrapassar a margem dos 30ºC – e no inverno neva e faz muito frio.

Resumindo, Queenstown tem mil e um motivos para ser explorada e não importa quantas vezes você a visite, sempre haverá algo novo para fazer e conhecer. A sensação de acordar pela manhã e se deparar com aquele lago azul e aquelas montanhas ao redor é indescritível.

Então, o que você está esperando?

#partiunovazelândia

 

Gaúcha, advogada, porém diariamente cursando a faculdade da vida.Apaixonada por praia, doida por viagens e alucinada por animais. Confusa e também decidida.Comunicativa ao extremo e em constante movimentação. Curiosa que só ela, tagarela que só ela…

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