Moda

MODA | MODA AO SEU TEMPO E COM PROPÓSITO

14 de fevereiro de 2018

Pensamentos para reavaliarmos como estamos absorvendo a moda.

Somo feitos de matéria, somos orgânicos, porém muitas vezes nem percebemos o ecossistema e não o comparamos com o nosso próprio organismo, o qual necessita diariamente ser alimentado, se exercitar e dormir para então “dar a volta” e começar o dia novamente. Sim, nos boicotamos, pulamos etapas e ficamos sem dormir, mas as consequências a longo prazo sempre aparecem e não é a toa que o mundo está pedindo socorro já faz algum tempo. O mundo, não é diferente de nós, precisa também ter “sua folga” para se reestruturar, para poder semear, reprocriar e renascer. E sobre as consequências da natureza? Elas estão se manifestando.

Tudo na vida tem seu tempo, a moda também.

Vestir-se é muito mais do que uma necessidade diária. O ato de vestir uma roupa expressa muito da forma como nos apresentamos a sociedade, o humor que nos “veste” neste dia, entre outras questões que entrariam em uma nova discussão, mas que vale colocar aqui este pensamento, pois vem de encontro ao nosso assunto principal que é a sustentabilidade dentro da moda.

Tudo na vida tem seu tempo, vestir-se também requer tempo. Com menos tempo, vestimos aquilo que mais nos dá conforto – camiseta e calça jeans – ou até mesmo uma combinação com menos harmonia. Com mais tempo, talvez possa ser elaborado um look que represente aquilo que se quer para o momento:  elegância, estilo, etc. Dedicamos tempo para escolher uma roupa quando temos um evento social importante, não é? Pois então, vejo pelo lado irracional do ser humano que, muitas vezes pela “falta de tempo” ou falta de consciência, entendemos que não temos roupa par vestir ou para combinar. Este pensamento comum a todos nós, muitas vezes faz parte da não “reciclagem” do nosso próprio guarda-roupa e a consequência disso é o consumismo desenfreado, o fast-fashion produzindo diariamente novas peças, novos desejos, de novo e de novo para tonar tudo aquilo que já se tem velho. Então me pergunto onde vamos parar? Procuro não julgar, mas apenas entender qual o nosso papel como marca para despertar essa consciência no segmento da moda.

Muitos  (ou todos) sabem o valor intangível que tem adquirir peças “Feito na China” (ou tantas outras regiões que sofrem com o impacto negativo do impulso da moda), mas, aparentemente, poucas pessoas tem a percepção de quão oneroso é manter uma fábrica ou loja de roupas “Feito no Brasil”: é preciso modelar, testar, errar e refazer até começar a produzir, vender e estocar, para então o consumidor “decidir” se irá comprar (sem citar todos os encargos que cada processo gera). Portanto me questiono qual o real valor por trás de todo o desejo.

Vejo um despertar surgindo, uma moda consciente emergindo. Vejo marcas plantando suas sementes por ai, colhendo flores e frutos de consumidores que já desfrutam de novas consciências no vestir. Vejo brechós, vejo roupas veganas, vejo roupas com modelagens que possibilitam mais de um uso, vejo os feitos à mão possibilitando nossas oportunidades, vejo um PENSE por trás de toda a “futilidade” da moda. Eis então que entendemos o quão sustentável pode ser a nossa amada moda, digo amada pois confesso que é preciso muito amor para não desistirmos – dedicamos tempo e muita energia, abdicamos do lazer e as vezes até da nossa saúde, para chegarmos a algum resultado.

A moda tem todos os pilares da sustentabilidade em sua mão e podemos vê-los sendo utilizados de lindas formas, que encantam aos que se aproximam. Ah, e falando em encanto, talvez seja exatamente isso que trás o despertar da consciência. Aparentemente, o despertar vem primeiramente da estética de como é comunicado e o encanto que as relações bem convividas podem despertar. Consumidores são atraídos pela emoção, então a estética de quem está por trás, quem põe a mão na massa e o propósito quando é construído um produto, muda o olhar de quem é atingido.

É preciso entender a relação do Social dentro da sustentabilidade, o qual causa impacto para quem faz, da forma que é feito e em que condições. Marcas “sustentáveis” estão gostando de mostrar quem está com eles, quem faz acontecer e, acima de tudo, mostram que realmente valorizam as pessoas, pois ninguém faz nada sozinho, não é?! Além disso, entendo que relações bem construídas criam laços fortes de cumplicidade e, portanto, será de todos o mérito do crescimento e fortalecimento da marca.

Ainda, o Econômico é consequência das boas relações, pois ninguém se sente bem quando é injustamente remunerado e etc. Também, é importante entender que em algum momento, algo não estará correto quando os valores não estão coerentes. A economia deve girar entre todos, cada um é merecedor daquilo que faz de melhor de forma justa. E, por último, o Ambiental, que aparentemente é o principal dentro da palavra sustentabilidade, mas apenas reforça e lembra o quão importante são os demais pilares. Sobre este, já falado bastante nos primeiros parágrafos, mas entendo aqui que é preciso manter um respeito. Respeito não apenas ao meio ambiente, mas nos três pilares como um todo.

Deixo aqui meu propósito, o meu papel como administradora, criadora e ser humana em um atelier que está apenas no início de toda a sua aprendizagem. Nada melhor do que as boas relações entre todos e tudo, equilíbrio é o que necessitamos (necessito) aprender a ter e penso que o tempo – o bendito tempo, irá mostrar qual o meio termo para tudo isso, pois nada que é radical faz bem. Falando em tempo, somos donos do nosso próprio tempo e talvez essa seja a habilidade maior quando falamos em sustentabilidade – confuso talvez, mas que me fez pensar.

Ao consumidor, é preciso dedicar seu tempo para conhecer o próprio guarda-roupa (não apenas físico, mas de alma, que faz nossas escolhas acontecerem), entender o que te representa e o que pode fazer belas combinações, para que a falta de roupa não seja confundida. É importante que saibamos entender o consumo como um elo que fortalece o mercado e o país como um todo. Somos todos interdisciplinares, pois minha fábrica depende não só da indústria de tecidos e fios, mas também do computador, que depende da indústria de tecnologia, que depende de outros. Somo elos que se fortalecem ou enfraquecem o sistema conforme nossas escolhas diárias.

 

Carolina Potrich é  gestora e criadora do atelier que leva seu próprio nome, localizado em Caxias do Sul. Apaixonada por poesias manuais e combinações mais belas que a natureza permite. Saiba mais através do site  www.carolinapotrich.com ou contate-nos através dos números (54) 3067.4696 ou 98411.3304.

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