Reflexão

REFLEXÃO | DIA DOS PAIS, POR MILENA MANFRO

10 de agosto de 2018

Com o dia dos pais se aproximando, me pego refletindo sobre o que é ser pai na atualidade e sobre as transformações que este papel sofreu ao longo dos anos. Com as mulheres/mães cada dia mais presentes ativamente no mercado de trabalho, buscando e alcançando diversos patamares que antes eram praticamente assumidos somente por homens, vejo uma crescente igualdade e divisão dos papéis e responsabilidades. Mas, embora tais mudanças estejam ocorrendo, ainda não observo tanto incentivo da sociedade para que os pais assumam as responsabilidades tão a  frente de seus filhos, quanto as mulheres. Dessa forma o papel de autoritário e de regulador do ambiente familiar acaba direcionado somente ao homem, o que, por consequencia, soa como o “mais correto”.

 

Em palestras, devoluções escolares, reuniões, ao levar no médico e até mesmo na consulta com o psicólogo, o que ainda se observa é o baixo números de pais presentes. E por que será isso? Se os papéis já estão mais igualitários, por que os pais não são tão vistos nestes locais quanto as mães?

 

Só posso chegar a conclusão que a problemática é mesmo histórica e está muita enraizada em nossa sociedade. Como Marcos Piangers, palestrante sobre inovação, tecnologia e paternidade, mesmo diz: “os fraldários são no banheiro feminino ou no da família””. Isso ocorre até na escolinha, onde normalmente os recados das agendas começam com: “Mamãe…”. A mensagem é clara: este não é um espaço para homens. (Muito embora deveria ser).

 

Precisamos desconstruir essa imagem, visto que a paternidade é um conceito que ultrapassa as fronteiras do ajudar na troca de fraldas em casa, deixar os filhos na escola e dar as broncas. É “pegar junto”, “colocar a mão na massa”. Os pais têm tanta chance como as mães de criarem seus filhos de forma assertiva, de proverem bons conselhos e até mesmo auxílio nos momentos difíceis.

 

Cada vez mais observo no consultório (e isso me deixa extremamente feliz) a presença ativa da figura paterna, a preocupação e participação no tratamento dos filhos. Pais inteirados da vida de seus filhos.

 

A  criança – e sua criação – é sim assunto de pai. Precisamos reforçar a importância que os pais têm na vida de seu filho e de que podem e devem participar ativamente em todas as fases de seu crescimento e amadurecimento, merecendo, inclusive, serem reconhecidos por isso. E falando em reconhecimento,  cito o exemplo do meu pai, que participou (e ainda participa) muito ativamente da minha criação, e que diversas vezes me ajudou em assuntos estigmatizados como “femininos”, segurando a barra comigo, nunca deixando de demonstrar carinho e preocupação.

 

O meu feliz dia dos pais para todos os pais! Que essa data seja importante para gerar reflexões a fim de que possamos reconhecer a importância do papel paterno diário e não somente uma vez ao ano.

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