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PETS | MEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO ENGOLIU ALGO. E AGORA? POR BIANCA SCHMIDT

29 de agosto de 2018

Esse questionamento é um dos mais corriqueiros na rotina clínica da medicina veterinária. A ingestão de um corpo estranho – como é chamado esse objeto – pode gerar diversos sinais clínicos e, de acordo com eles, é definida condução do caso.  

 

As particularidades ligadas ao corpo estranho em questão são importantes para mapear a extensão dos danos e escolher a melhor abordagem possível. A principal consideração é em relação ao tamanho do objeto em questão e a sua proporção com tamanho do animal. Afinal, uma bola de gude pode atravessar facilmente todo trato gastrointestinal de um cão da raça Dogue Alemão sem causar manifestações clínicas significativas porém, definitivamente causará impacto ao tentar percorrer o mesmo caminho em um cão da raça Pinscher. A forma também influencia nessas manifestações, uma vez que, um objeto liso irá causar menos lesões na parede do trato gastrointestinal do que aquele que apresentar bordas irregulares ou pontiagudas.

 

local onde trancar esse corpo estranho é crucial para definirmos, muitas vezes, a gravidade do caso. O quadro pode envolver todo o trato gastrointestinal (TGI), tendo início na cavidade bucal e finalizando no ânus. Os quadros mais críticos, normalmente, estão associados ao início do TGI – esôfago cervical e torácico – e acabam envolvendo, consequentemente, a traqueia. Isso acontece porque o objeto engolido gera uma distensão anormal do esôfago fazendo uma compressão sobre a traqueia. Por esse motivo, os sinais clínicos são mais agudas e potencialmente fatais nestes casos.

 

Os fatores acima citados estão diretamente ligadas as manifestações clínicas geradas. Quando um paciente chega para consulta, existem duas formas mais comuns de apresentação: a emergencial e a tardia.

 

A primeira apresenta sinais clínicos mais agudos e evidentes, como: salivação intensa, engasgos, possíveis secreções sanguinolentas, comportamento ansioso e, nos casos mais graves, dificuldade respiratória podendo evoluir até para asfixia. Esses animais devem ser encaminhados imediatamente ao hospital veterinário mais próximo.

 

A tardia, muitas vezes, está relacionada a corpos estranhos que já ultrapassaram o esôfago e manifestam sinais inespecíficos como: inapetência, vômitos recorrentes ou esporádicos, dor abdominal, apatia e/ou comportamento “diferente do normal”.

 

Para um diagnóstico definitivo, é necessário que sejam feitos exames para a exclusão de outras possíveis suspeitas. Os exames de imagem são amplamente utilizados nesses casos. São eles: a endoscopia, ultrassonografia e radiografia – a tomografia também é um exame de imagem disponível porém feito com menor frequência devido ao alto custo. A escolha do exame é feita de acordo com as particularidades do caso e com a aceitação do tutor.

 

Em sinergia aos tópicos abordados anteriormente, vale ressaltar a importância da comunicação clara e eficiente entre o clínico e o tutor. A sinceridade em relação aos hábitos do paciente em roer “coisas” e da administração de ossos e brinquedos ao mesmo são imprescindíveis. O maior número de informações fornecidas pelo tutor e uma correta avaliação de todas as variáveis descritas previamente é o que define a conduta mais correta a ser seguida e, consequentemente, o maior índice de sucesso nestes casos.

 

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